Pular para o conteúdo principal

Preparo do Corpo Contaminado

Descrição: Procedimento de preparar o corpo sem vida contaminado para sepultamento.

Objetivo: Evitar contaminação do ambiente e dos profissionais, higienizar e preparar o corpo para sepultamento.

Aplicação: Em todos os pacientes com suspeita e confirmação de doença contagiosa que apresentam risco a saúde pública e/ou profissional.

Responsabilidade: Enfermeiros, técnicos de enfermagem e auxiliares de enfermagem.

Risco Ocupacional: Contaminação por material biológico contaminado.

Materiais Necessários:

  1. Equipamentos de Proteção Individual (EPIs): luvas, gorro, óculos de proteção ou protetor facial, máscara cirúrgica ou N95, avental impermeável.
  2. Espaço para o preparo/Biombo.
  3. Kit de preparo pós-óbito: pinças, gazes, algodão, ataduras, tesouras, bisturis, pinças, fita adesivas e adesivo de identificação.
  4. Cobertura impermeável.
  5. Papel toalha.
  6. Sabonete líquido e compressa úmida, se necessário.
  7. Álcool a 70% ou solução clorada (0,5% a 1%) ou outro saneante desinfectante regularizado junto a Anvisa.
  8. Recipiente rígido para descarte de materiais contaminados com sinalização.
  9. Hamper.
  10. Maca para o transporte (deve ser única para essas situações).
  11. Saco impermeável para o cadáver com sinalização de risco de contaminação.
  12. Saco externo para transporte.

Atenção! Todos os materiais utilizados devem ser únicos para preparo de corpos contaminados.


Etapas do procedimento:

  1. Durante o cuidado com o corpo sem vida, apenas os profissionais que irão executar o preparo devem estar presentes.
  2. Todos devem estar paramentados com EPIs e, em caso de realização de procedimentos que provoquem aerossol, recomenda-se a utilização de máscara N95 ou similar.
  3. Com a confirmação do óbito pelo médico, o paciente deve ser removido o mais rápido possível para um ambiente onde possa ser realizado o preparo do corpo.
  4. Na falta de um espaço, o biombo pode ser utilizados (situações extremas).
  5. Remover com cuidado evitando contaminação do ambiente: tubos, cateteres, dispositivos de administração de medicamentos entre outros.
  6. Descartar todos os materiais e dispositivos em recipiente rígido com sinalização de resíduo infectante.
  7. Limpar orifícios com compressa antes de ocluir.
  8. Ocluir curativos e qualquer orifício que possa drenar material biológico infectado com cobertura impermeável.
  9. Ocluir orifícios naturais (oral, anal e retal).
  10. Acondicionar o corpo em saco impermeável e selado com sinalização de risco.
  11. Utilizar outro saco para transporte, limpar superfície externa do saco com álcool a 70% ou solução (0,5% a 1%) ou outro saneante desinfectante regularizado junto a Anvisa.
  12. Identificar adequadamente e manter em lugar de fácil visualização.
  13. Em caso de contaminação pelo COVID-19, identificar externamente o agente biológico classe de risco 3.
  14. Utilizar luvas descartáveis nitrílicas ao utilizar o saco de acondicionamento do cadáver.
  15. Maca de transporte de cadáveres deve ser única e de fácil limpeza e desinfecção.
  16. Remover e descartar EPIs de forma adequada.
  17. Higienizar as mãos.
  18. Realizar anotação de enfermagem.             

Referências Bibliográficas

  • Ministério da Saúde (BR). Nota Técnica GVIMS/GGTES/ANVISA Nº 04/2020. Orientações para serviços de saúde: medicas de prevenção e controle que devem ser adotadas durantes a assistência aos casos suspeitos ou confirmados de infecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV2). Brasília (DF); [Internet]; 2020; [citado em março de 2020]
  • Perry AG, PotterPA, DesmaraisPL. Guia Completo de Procedimentos e Competências de Enfermagem. 8ed. Rio de Janeiro: Elsevier;2015.
  • Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo. Cuidados com o corpo pós óbito. Câmara Técnica orientação fundamentada. [Internet]; 2017; [citado em março de 2020].

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Você sabe o tempo de permanência da Sonda Nasogástrica e Nasoenteral ?

Olá , Estava procurando material para mostrar numa aula de sondas e ostomias, e me deparei com um vídeo que informava que a sonda nasogástrica (sonda inserida da região nasofaringe até o estomago), em uso domiciliar, poderia permanecer por  até 6 meses. Fui em busca desse tempo de permanência que considerei grande. Depois de muita busca para conseguir chegar a uma conclusão, se poderia ou não ter esse tempo de permanência, achei as seguintes informações: Segundo a BVS (2013):   Por serem resistentes podem permanecer no paciente por longo tempo (5 meses ou mais), sendo necessária a troca somente quando apresentarem problemas como ruptura, obstrução ou mal funcionamento. Segundo o COREN (2017) : (...) sugere-se que após 4 a 6 semanas a sonda nasoenteral seja substituída por uma gastrostomia.  A troca da sonda de gastrotomia não é rotineiramente necessária e não tem intervalo definido na literatura, a indicação é limitada às situações...

Qual a diferença de Hiperemia para Eritema?

Durante uma aula, fui questionada sobre a diferença sobre esses termos, e reparei que utilizamos essas palavras diariamente na prática, e nunca paramos pra pensar se há ou não diferença, não é mesmo? Acredito que você, leitor, também não sabe dizer a diferença entre os termos. Segundo Kumar et al (2010): A hiperemia é um processo ativo resultante da dilatação arteriolar (p. ex., como no músculo esquelético durante o exercício ou nos locais de inflamação), levando a um aumento do fluxo sanguíneo. O tecido afetado torna-se vermelho (eritema) devido ao congestionamento dos vasos com sangue oxigenado. A congestão é um processo passivo resultante da redução do fluxo sanguíneo em um tecido, podendo ser sistêmica, como na insuficiência cardíaca, ou local, como na obstrução venosa isolada. Os tecidos com congestão apresentam uma cor que varia do vermelho-escuro ao azul (cianose), Segundo Kumar et al (2013): Hiperemia e congestão se referem a aumento do volume sanguíneo em um tecido,...

A via endovenosa pode ser utilizada na aplicação de insulina?

Quando aprendemos sobre diabetes, geralmente, estudamos os tipos de diabetes e seus tratamentos. Esse pode ser através dos hipoglicemiantes orais e/ou utilização de insulinoterapia. Ao falarmos de via de administração da insulina, já vem a nossa cabeça, a via subcutânea, mas será que podemos realizar aplicação por outra via? Você já parou pra pensar sobre isso? Segundo o Caderno de atenção (2013): A via de administração usual da insulina é a via subcutânea, mas a insulina regular também pode ser aplicada por vias intravenosa e intramuscular, em situações que requerem um efeito clínico imediato Segundo o Ministério da saúde (2018): A insulina regular também pode ser aplicada por vias intravenosa (IV) e intramuscular (IM), em situações que requerem efeito clínico imediato, dessa forma requer cautela e profissional com conhecimento específico para administrar o uso. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (2019-2020):  A via intramuscular (IM), às vezes, é usada em pront...